Sunday, January 15, 2006

Terra do Nunca!

A história de Peter Pan, o menino que permaneceu criança e viaja pela imaginação, todos devem conhecer. Mas a terra do Nunca, poucos conhecem. Tentei conhecê-la e descobrir que a escola poderia ser a nossa terra do Nunca.
Imaginei a escola sem fronteiras para o pensamento e a criatividade, onde cada descoberta é primordial para a construção do conhecimento.
Vi meninos e meninas voando pelas salas, professores feito seres encantados fazendo a vida dos alunos uma verdadeira aventura, e ainda um lugar sem paredes ou rigidez, só com um uma regra: nunca parar de criar!
Vi ainda pais formando filhos para serem felizes com o que escolherem, alunos se agrupando por interesse de descobertas, um local prazeroso de ficar, onde ao final do dia, todos ficam tristes por que é preciso ir embora, mas já saem contentes porque no outro dia voltarão aquele lugar.
Abri os olhos e infelizmente, vi cadeiras em filas, o quadro negro, professores podando a criatividade de alunos, regras rígidas. A terra do Nunca, volta a ser do imaginário, presente apenas na história do livro, que ao ser fechado acaba-se e apenas será relembrado.
Acredito que a escola não é atrativa por isso: falta a imaginação!
Se nossos professores não deixassem de ser meninos, nossos alunos jamais deixariam a escola.
E assim vou seguindo. Tentando transformar minha aula, num pedaço da Terra do Nunca.
Já enchi o saco.
Vou indo!

Tuesday, January 03, 2006

Escolas que são asas e escolas que são gaiolas!

Li essa semana, um fragmento da obra de Ruben Alves (não sou de decorar nomes de livros, mas de refletir sobre a mensagem que eles marcam), que comparava a escola a gaiola e às asas. Sábia comparação, que me deixou até agora reflexivo: como estão as escolas deste país? Elas servem para controlar ou para encorajar?
E assim fiz uma memória de minha vida (pré) e escolar. As coisas que me deixaram felizes e aquelas que me desencorajaram. Aquelas que me fizeram refletir e as que me obrigaram a refletir.
Voltei ao passado. Vi minha mãe, sentada ao lado dos meus irmãos lhes ensinando a tarefa escolar e eu do lado pentelhando. E vi que ela me encorajava a escrever e a ler as palavras que descobria nos livros e nos cadernos deles. Que beleza! Fui alfabetizado da forma mais brilhante que existe: através da descoberta e da capacidade de criar.
Depois já estava meio “grandinho”, comecei a freqüentar a escola e via que cada professora tinha uma forma de trabalho: algumas me faziam viajar no prazer de ouvir e contar histórias e até mesmo de recontá-las através do desenho. Outras brigavam e me controlavam para que não atrapalhar o desenvolvimento de suas aulas e o raciocínio de meus colegas. E assim fui caminhando em toda a minha jornada escolar. Tive professores que me encorajavam a voar e outros que tentavam controlar-me.
Cheguei então ao curso de magistério. Ouvi a professora falar de construtivismo, Piaget, Vigotsky, e tantos outros teóricos e comecei a inquietar-me quanto ao papel do professor e da escola. Percebi que muito se falava e pouco se fazia. Então me tornei professor para tentar mudar essa história. Comecei a lecionar. Estava cheio de sonhos e projetos, mas me contaminei pelo controle excessivo. Cheguei a olhar-me no espelho e ver os exigentes e ditadores que passaram por minha vida. Perguntei-me: será que sou um reflexo deles?
Depois recomecei a sonhar. Voltei a exercitar as minhas asas e hoje já ensaio pequenos vôos e encorajo outras pessoas a voar. Como é bom sair do controle dos outros e voar. Como é bom deixar a gaiola pra trás e tentar ser livre.
Acho que este é o problema dos nossos professores: Eles se esqueceram como se voa! Esqueceram-se que o importante não é controlar. Mas sim encorajar.
Acho que já enchi o saco. Depois volto pra blogar mais.
Valeu!